POETIZOU 46 – YHWH
YHWH
• Autoria de Thaís Kafuri, Diretora de Extensão da Liga Acadêmica de Acessibilidade ao Direito (LAAD) e acadêmica de Direito na PUC Goiás.
Dizem para mim que a sabedoria é luz.
Que me encontro enfurnada em uma caverna fria e úmida que me faz perseguir sombras furtivas e imagens ilusórias.
É que o que se ilumina em minha cabeça começou como vela e hoje é uma pira.
Dessas que a fumaça passeia pelo céu e que queimam mais do que algumas estrelas.
Meu conhecimento me levou a conhecer uma dor que tentei ignorar por muito tempo.
Me fez encarar sessões desconfortáveis em psicólogos que se sentiam mal por minha postura torta e dicção ruim.
Nessas sessões, encaro diálogos longos para conseguir agarrar as chamas e tentar fazer fogos de artifício. Talvez uma fogueira de São João.
Queimo até não sobrarem brasas. Faço das minhas palavras o que Nero fez com Roma.
Só que com arte, porque o meu fogo se alimenta de coisas bonitas e faz parir labaredas que serão vistas por meus descendentes e os descendentes deles.
Resquícios de carvão que usarão para fazer desenhos em folhas com meu nome.
Ou relatos, talvez uma biografia.
A verdade é que moldo meu conhecimento em arte, pois é o combustível que acende o meu brilho e apaga as sombras.
Ele é uma faca de dois gumes, mas sei desembainhar a espada do Gênesis.
De vez em quando, tudo o que precisamos é ser nossa própria luz.



























