Poetizou 09 (Em Quarentena)- Brasil

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  • Autoria de Maria Eduarda Morais, Graduanda em Direito e Coordenadora de projetos da LAAD.
  • Essa poesia é uma paródia do poema “E Agora José?” de Carlos Drummond de Andrade.

 

BRASIL

 

E agora, Brasil?

O carnaval acabou,

A esperança apagou,

O povo sumiu,

A noite esfriou,

E agora, Brasil?

E agora, Brasil?

Você que é brasileiro,

Não honra sua pátria,

Você que trapaça,

Que ama, protesta?

E agora, Brasil?

Está sem presidente,

Está sem discurso,

Está sem museu,

Já não pode reclamar,

Já não pode sorrir,

Cultura já não tem,

Na noite queimou,

A história não veio,

O bombeiro não veio,

O riso não veio,

Não veio a utopia

E tudo acabou

E tudo fugiu

E tudo se exalou,

E agora, Brasil?

E agora, Brasil?

Sua doce história,

Seu instante de tristeza,

Sua cultura e passado,

Sua biblioteca,

Sua lavra de ouro,

Seu terno de vidro,

Sua incoerência,

Seu ódio — e agora?

 

Com o passado  na mão

Quer abrir a porta,

Não existe porta;

Quer morrer no passado;

Mas o museu queimou;

Quer conhecer sua cultura,

Cultura não há mais.

Brasil, e agora?

Se você gritasse,

Se você gemesse,

Se você tocasse

A valsa vienense,

Se você dormisse,

Se você cansasse,

Se você morresse…

Mas a cultura não morre,

Você é duro, Brasil,

Queimando no escuro

Qual bicho-do-mato,

Sem ajuda,

Sem parede nua

Para se encostar,

Sem patrimônio histórico 

Que fuja a cultura,

Você marcha, Brasil!

Mas, para onde?

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